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Demitem-se culpados

Mas venhamos, Nelson, que se a sanidade mental de um técnico é degradada, as de seus críticos passam longe da razão.

17/07/2019 às 12:31

Amigos, há coisas que nem Freud explica, entre elas, a verdadeira responsabilidade de um técnico de futebol. Dizemos que técnico não ganha jogo e, ao mesmo tempo, o demitimos como ‘resolução’ de uma sequência de derrotas. E sabe o que isso quer dizer? Que só um técnico pode ser técnico. Nenhum de nós tem capacidade emocional para aguentar ‘a gana de tantos contra um só’. Não à toa, somos torcida e estamos sempre em massa. Nos responsabilizamos pouco, cobramos demais. 

Pois bem. Essa fragilidade de comando é proporcional a nossa irracionalidade. Lá se vai mais um técnico embora de Minas Gerais sem conseguir uma sequência necessária para, enfim, colocar sua filosofia em prática. O América demitiu Maurício Barbieri na última segunda-feira, dia útil seguinte à derrota para o Figueirense, em casa, por 4 a 0. Dia útil seguinte ao primeiro jogo do time depois da intertemporada da Copa América - que, por sinal, fez jogos-treinos contra Cruzeiro e Atlético e venceu os dois.  

Mas no CT Lanna Drumond falou mais alta a máxima de Ronaldinho Gaúcho de ‘quando tá valendo, tá valendo’. E, em jogos válidos, Barbieri deixou o Coelho com um retrospecto de quatro derrotas, dois empates e uma vitória. Na matemática, isso representa um aproveitamento de 23,8% nos sete jogos comandados. Horrível, péssimo, lastimável! Mas, amigos, é importante ressaltarmos que nem ele - nem nenhum técnico - entrou em campo para marcar - ou não - gol e defender - ou tomar - gol.  

O fato é que Maurício Barbieri estava diante de um time limitado. Esse mesmo que agora já não pertence a ele, mas segue em nosso sofrível futebol mineiro. O América está na zona de rebaixamento da Série B. Antes de Barbieri, não havia ganhado um jogo sequer no nacional. Com Barbieri, ganhou um. O que esperar de quem vem? Uma boa relação com Deus, talvez. Porque o time, amigos, aquele que entra em campo, em nada mudou.

Nelson Rodrigues diz que “o técnico tem, no mínimo, duzentas irritações por dia. E, além do mais, não há função mais polêmica. Tudo o que ele faça suscita debates no país inteiro. Há sujeitos que vivem, dia e noite, tramando a sua desgraça. E das duas uma: ou ele tem uma inexpugnável sanidade mental ou acaba maluco e a família não sabe”.

Mas venhamos, Nelson, que se a sanidade mental de um técnico é degradada, as de seus críticos passam longe da razão. Afinal, a torcida não muda, e pouco se altera na equipe. A direção permanece a mesma. O uniforme mantém suas cores. O CT não sai do lugar, o estádio é ponto fixo. E o técnico tem, no máximo, uma comissão. Uma comitiva menor que qualquer outra das trupes que compõem um clube. Ou muito me engano, ou teremos um time de técnicos rodando no Coelho este ano, se a filosofia permanecer. 

A corda arrebenta para o lado mais fraco sempre, só nos esquecemos que seu remendo raramente se fortalece. É que o meio, o miolo, a essência, permanece.

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