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A culpa (não) é do VAR

Fomos criados para aplaudir quem pouco nos dá e vaiar quem nos atrapalha a receber as migalhas.

01/04/2019 às 07:13

Amigos, será preciso reinventar a bola. É que aquela redondinha no meio do gramado não é mais suficiente para segurar o renomado futebol. A tecnologia chegou, e o que era várzea deu lugar ao VAR. Poderia ser um apelido, sigla, algo do tipo, mas não, um se opõe ao outro. Saiu das regras a ‘bola pro mato’, a ‘banheira’, a ‘bicuda’. Agora tudo está graficamente escancarado nas câmeras auxiliadoras da arbitragem. E os juízes, meus caros? O juiz, nosso “pior-melhor-amigo”, nos traiu como numa vingança. Não querem mais levar nosso desaforo pra casa. 

Como vamos xingar o juiz se agora tem uma câmera mostrando pra ele o que, de fato, está acontecendo? Como vamos culpá-lo pelo resultado se seus erros só tendem a diminuir? Como bem diz Nelson Rodrigues: “Vejam vocês que coisa melancólica e deprimente: — um jogo de futebol tem 22 homens. Com o juiz e os bandeirinhas, 25. Acrescentem-se os gandulas e já teremos um total de 29. Vinte e nove homens e nem um único e escasso canalha, nem um único e escasso vigarista! Eis a verdade, que levaria um Balzac ao desespero e à úlcera: — as condições do futebol contemporâneo tornam impraticável a existência do canalha.”

A única solução, aquela em que eu não queria nem mencionar nessa vida, é: discutir o futebol em sua prática. Com todo o preciosismo da arbitragem, vamos ter que chamar de ‘burro’ o cara que errar o gol ou aquele que tomar o cartão vermelho. A interferência mínima do juiz vai clarear nossos olhos dos erros técnicos e táticos para os erros da equipe. E o que será de nós, torcedores fanáticos, tendo que botar a culpa nos culpados? Não sei se temos imaginação pra isso… 

Fomos criados para aplaudir quem pouco nos dá e vaiar quem nos atrapalha a receber as migalhas. De dez chutes, o cara erra sete, acerta três que, dentre eles, um é anulado. Aí te pergunto: a culpa da derrota será de quem? Era do juiz que anulou um gol. Mas e agora? Saberemos conviver com a realidade e, principalmente, com a justiça? Daremos aos nossos ‘heróis’ o título de canalha? Ou, por outra, reclamaremos do VAR e do ‘mimimi’ que ele traz por barrar um lance de centímetros? Afinal, só o ‘dedão tava à frente’. Se a bola não fosse redonda... 

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